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Chocolate Amargo no Tratamento da Doença Renal Crônica

Publicado em 05/08/2025 • 5 min de leitura

Chocolate Amargo e Tratamento Renal

Um estudo recente da Universidade Federal Fluminense (UFF) traz boas notícias para os amantes de chocolate: o consumo de chocolate amargo pode ser uma adição benéfica à dieta de pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) em hemodiálise, oferecendo benefícios anti-inflamatórios sem comprometer as restrições nutricionais.

A Doença Renal Crônica impõe desafios dietéticos severos. Pacientes precisam controlar rigorosamente a ingestão de fósforo e potássio para evitar complicações ósseas e cardíacas. Encontrar alimentos que sejam ao mesmo tempo saborosos e seguros é uma busca constante para melhorar a qualidade de vida e a nutrição desses pacientes.

O Potencial do Cacau

O chocolate amargo, especialmente aqueles com alto teor de cacau (acima de 70%), é rico em flavonoides. Esses compostos possuem poderosas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Na DRC, onde a inflamação crônica e o estresse oxidativo são fatores de risco significativos para doenças cardiovasculares, o cacau surge como um aliado promissor.

O Estudo da UFF

O estudo "Chocolate amargo modula marcadores inflamatórios em pacientes com doença renal crônica em hemodiálise" envolveu 59 participantes. O grupo de intervenção consumiu 40g de chocolate 70% cacau, três vezes por semana, durante as sessões de hemodiálise, por um período de dois meses.

Os resultados foram animadores:

  • Redução da Inflamação: Houve uma queda significativa nos níveis de TNF-α, um marcador inflamatório associado a riscos cardiovasculares.
  • Segurança Nutricional: O consumo não alterou os níveis de fósforo ou potássio no sangue, uma das maiores preocupações na dieta renal.
  • Estresse Oxidativo: Não houve impacto negativo em marcadores de estresse oxidativo.

Conclusão e Perspectivas

Esses achados sugerem que o chocolate amargo pode ser uma estratégia terapêutica prazerosa e eficaz. Além dos benefícios físicos, a possibilidade de incluir um alimento "proibido" na dieta pode ter um impacto positivo na saúde mental e na adesão ao tratamento.

No entanto, como ressalta a pesquisadora Denise Mafra, mais estudos são necessários para confirmar esses benefícios a longo prazo. Por enquanto, a moderação e a escolha por chocolates com alto teor de cacau (70% ou mais) são fundamentais.

Fonte: Universidade Federal Fluminense (UFF) - "Chocolate amargo modula marcadores inflamatórios em pacientes com doença renal crônica em hemodiálise: um ensaio clínico" (2020).